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domingo, 15 de dezembro de 2013

APRESENTAÇÃO DO LIVRO DO FURACÃO

 (continuação)
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Nos dias seguintes, os telejornais de todo o país entraram numa histeria coletiva de exibição da matéria, falando sem cessar de esquemas de compra de sentenças que incluiriam vários desembargadores, eu inclusive, tendo a certa altura sido colocada no ar uma frase com a minha voz, dizendo “a minha parte em dinheiro, tá?”, explicada como uma ligação minha para meu genro, pedindo que a minha parte na negociação fosse paga em dinheiro.
As reportagens foram tão exageradas que um delegado da Polícia Federal, chamado Emmanuel, declarou à Rede Globo que “aquela operação era um divisor de águas” no combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, tendo sido eu e o desembargador Ricardo Regueira alçados à condição de bandidos mais perigosos do país.
O detalhe que faltou nessas reportagens é que nada disso era verdade, mas fruto de uma armação, forjada pela Polícia Federal, sob o comando do delegado federal Ézio Vicente da Silva, numa investigação sob a tutela do então procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza, e supervisionada pelo ministro Cezar Peluso do Supremo Tribunal Federal, que, mais tarde, viria a relatar contra mim uma denúncia formulada pelo mesmo procurador-geral da República, convencendo o Plenário daquela augusta Corte de que havia sérios indícios de minha participação na quadrilha de bingos.
 Nada havia de concreto além de maquinações, montagens de provas e suposições contra mim e o desembargador Ricardo Regueira, mas, sem um exame meticuloso, o procurador-geral da República induziu o ministro do Supremo Tribunal Federal a me supor um marginal, tendo eu sido execrado publicamente pela mídia, apesar de todo o meu passado de juiz e de professor de Direito, com uma das maiores obras já produzida individualmente por um escritor neste País; e inclusive conhecido da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal, com muitos dos quais convivi ao longo da minha carreira.
Em outros termos, fui julgado sem saber por que razão, e previamente condenado através da imprensa sob os auspícios do Supremo Tribunal Federal, cujo ministro teve poder para mandar me prender, mas não para fazer com que a operação que ele próprio havia supervisionado acontecesse, como ele próprio determinara, em “segredo de justiça”. 

(continua na próxima semana)
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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável, inclusive na versão e-book, nas livrarias SARAIVA e TRAVESSA, e em www.livrarias.saraiva.com.br, www.travessa.com.br, www.livrariacultura.com.br e também em www.estantevirtual.com.br, www.bondfaro.com.br e em outras livrarias do País. 

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