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domingo, 15 de dezembro de 2013

UMA MARTELADA NO CRAVO E OUTRA NA FERRADURA


     O AI-5 foi assinado por 22 dos 23 membros do Conselho de Segurança Nacional (a tropa de choque da ditadura), comandado pelo presidente Costa e Silva, o segundo na linha ditatorial a comandar o País entre 1964  1985. Os ministros-atores funcionaram como encarnações alegóricas da hipocrisia e da pusilanimidade. A única exceção nesse grupo foi o mineiro e Vice-Presidente PEDRO ALEIXO, que se recusou a assinar um documento que instaurava no País o reino do arbítrio, da tortura e do terror; inclusive suspendendo a garantia constitucional do "habeas corpus" até pelo STF contra as suas maquinações. A partir daí, um preso, acusado de delito político, ficaria incomunicável por dez dias -- cinco dias a mais do que o Alvará de 1705, usado para arrancar confissão dos inconfidentes mineiros. Quase arrependido de ter assinado esse Ato, Costa e Silva teria dito: "Peço a Deus que não me venha convencer amanha de que Pedro Aleixo é que estava certo". Mas não chegou a arrepender-se, porque morreu em plena ditadura. 
   Dois remanescentes daquele Conselho continuam vivos, sem demonstrar qualquer arrependimento: Jarbas Passarinho, ex-ministro do Trabalho e da Previdência, e Delfim Netto, pai do "milagre econômico", que acabou sendo um "desastre econômico" Jarbas Passarinho, ao emitir o seu voto, pronunciou a maquiavélica frase, que até hoje está colada na sua alma e na dos brasileiros: "Às favas todos os escrúpulos de consciência". Delfim Netto tornou-se muito respeitado pelos antigos adversários que agora estão no poder (leia-se: os petistas que combatiam o AI-5) e dos  quais tem funcionado como uma espécie de conselheiro ou guru. E tão respeitado se tornou para e pelos petistas, que estes parecem ter atualizado a "passarinhada": "Às favas todos os escrúpulos éticos".
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NOTA: Transcrição inspirada (quase literalmente) no editorial  de Zuenir Ventura "Para não esquecer", publicado e divulgado pela mídia no dia 14 do mês em curso. 

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