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domingo, 24 de fevereiro de 2013

DEPOIMENTO PRESTADO PELO DESEMBARGADOR CARREIRA ALVIM, NO RIO DE JANEIRO, E QUE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA NÃO LEU.


PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
(Notas Taquigráficas SAJ/CORTAQ)                                              (Audiência, 16/4/2010)
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(continuação)

Eu vou contar a Vossa Excelência algo que Vossa Excelência pode até duvidar, porque é de duvidar realmente.  

Eu chamei o BENEDITO GONÇALVES no meu gabinete, que hoje é Ministro e que hoje  está julgando. Falei para ele: "BENEDITO, você é uma pessoa muito bem enfronhada aqui no Tribunal, que eu sei disso. É amigo de todo mundo. Se vocês forem lançar um outro candidato, você me avisa porque eu me aposento. Uma semana antes, eu requeiro a minha aposentadoria e vou dar aula na minha Faculdade e vou embora.” Não .. Você não vai fazer isso porque o Tribunal ..." Convenceu-me de todo o jeito que eu não deveria me aposentar, porque não havia candidato.

O CASTRO AGUIAR sabia disso, sabia. Sabe por que ele sabia? Quando a Polícia Federal falou que eu tinha infiltração na Polícia Federal por causa do caso Jansen, que Vossa  Excelência me pediu explicação, eu falei: "Então, empatou, porque a Polícia Federal também tinha ramificação no Tribunal."

A minha mulher foi conversar com o CASTRO AGUIAR, porque ela era minha assessora aqui ainda, para saber dele se ele votava em mim, ele falou com ela que não podia votar  porque eu estava sendo processado e que eu ia ser preso. Como é que ele sabia disso? A Tetê  chegou ao meu gabinete e falou: "O CASTRO AGUIAR disse que não vota em você porque você está sendo processado e vai ser preso".

Sabe o que eu pensei? Quando ele falou que eu estava sendo processado, eu pensei numa outra Coisa. Nós temos um professor na UFRJ que é meio maluco. Denunciou [no CNJ] tudo quanto é Juiz por acumulação de cargo, Geraldo Prado, eu e outros Juízes - e eu estava me defendendo lá para dizer que não havia acumulação – por causa de dez minutos de aula que terminava antes, ele disse que eu estava acumulando cargo. Então eu pensei que fosse isso, que fosse esse processo. Pensei que com certeza falaram para ele: que tem um processo contra mim no CNJ, que era cumulação de cargo e ele estava pensando que é isso. Quando aconteceu, que eu vi que realmente ele sabia. Isso é que, Doutor ABEL, me deixa meio incrédulo com a alma humana. Se eu soubesse de uma coisa dessas, eu seria mais amigo das pessoas. Eu não              deixaria que as coisas acontecessem. Nem que dissessem o que estava acontecendo, para eu procurar saber realmente o que estava acontecendo, para não criar, inclusive, um problema        para o Tribunal. Mas, infelizmente, não foi isso que aconteceu.  

Vossa Excelência estava presente no dia. O CASTRO AGUIAR se lançou candidato e disse que  tinha sido, ameaçado. É mentira, tanto que ele não teve testemunha nenhuma que demonstrasse isso, Ele se referiu a uma conversa que a Tetê teve com ele, que foi perguntar a ele se ele votava em mim, porque uma vez ela tinha pedido a ele para votar em mim na Escola de Magistratura e ele disse: “Está bem, eu voto no seu marido para a Escola de Magistratura e depois você fala com ele para me dar a preferência, porque eu sou mais velho do que ele,  senão eu não chego a Presidente do Tribunal." Essa coisa é velha .

Eu tinha tudo para supor que fossem essas coisas. Não dá para eu saber por que fizeram isso
comigo. Foi sórdido terem feito, porque eu poderia ter me aposentado, e, aliás, hoje eu estaria até sendo processado no Primeiro Grau.
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(continua na próxima semana)                                                                                 81

NOTA: A vida dá tanta volta que, para a próxima gestão na Presidência do TRF-2, dois dos candidatos naturais ao cargo, pela antiguidade, que integravam o Grupo dos Quinze, e ajudou a eleger CASTRO AGUIAR, desistiram de concorrer à Presidência, sendo escolhido um dos mais novos na lista de antiguidade. Afinal, o Tribunal não tem mais CARREIRA ALVIM para passar pra trás.

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