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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

ARREPENDIMENTO DE UM DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL


(continuação)
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"Nunca pensei que o destino me permitisse um dia consolar aquele jovem delegado federal, que querendo ser eficiente na sua atividade policial, inclusive resistindo ao cumprimento de ordem judicial por entendê-la contrária ao interesse público, via a sua carreira desmoronar como um castelo de cartas, pois mesmo se absolvido da acusação, o fato de ter respondido a um processo punha a perder todo o seu futuro.

A grande preocupação do delegado federal Carlos Pereira, quando pensava na sua carreira e na família, era o seu filho, ainda de tenra idade, de quem era ele o ídolo e o grande herói; e só de pensar no que deveria dizer ao filho, quando retornasse para casa, o apavorava; e o durão delegado federal chorou copiosamente.

O destino revelou, nesse momento, a sua face contraditoriamente irônica, pois eu, que havia proferido decisões para a liberação de máquinas caça-níqueis, buscava consolar justo o delegado federal que as apreendera, e fizera surgir os primeiros ventos do furacão que viria nos atingir a todos nós de forma tão impiedosa e cruel.

Eu que pensava saber odiar, como penso que ainda sei, mais não fiz naquele momento do que consolar aquele que pensava ter sido a causa do meu calvário; mas que tinha ele próprio sido vítima do próprio veneno ministrado pela sua própria instituição."
 
(continua na próxima semana)
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                  Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br, www.bondfaro.com.br , www.estantevirtual.com.br , na Livraria La Selva (nos Aeroportos) e em outras livrarias em todo o Brasil.

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