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segunda-feira, 10 de setembro de 2012


PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL  FEDERAL DA 2ª REGIÃO  

(Notas Taquigráficas SAJ/CORTAQ                                       Audiência, 16/4/2010

(continuação)

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(pegava na Faculdade) de Direito a uma hora da tarde e ia até as seis da tarde; e pegava as oito no IBRA (Instituto Brasileiro de Reforma Agrária) e ia até a meia-noite. Eu trabalhava das sete da manha a meia noite para ajudar a sustentar a família. E estudando, e pedindo à Maria Helena (minha irmã), que hoje é juíza federal (em Minas), para assinar para mim (a lista de chamada), porque eu não podia assinar: eu tinha que estudar para fazer prova.  

Quando eu estava em condições de participar do convívio da minha mãe, ela foi criminosamente atropelada na porta da minha casa, com uma das minhas irmãs. Ela foi assassinada em um crime de automóvel. E eu nem pude ver minha mãe enterrada, porque eu estava na Europa. Quando eu cheguei, me falaram que ela tinha morrido.  

Então, a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça acham que isso aqui é problema na minha vida?  

Eu estou tão acima disso, e tão fortalecido para enfrentar isso. Doutora, eu na perdi uma noite de sono; eu não derramei uma lágrima, nem minha filha. Na Polícia Federal, eu, conversando com ela, com as mãos naquele vidro, não derramei uma lágrima, porque eu falei: “Os bandidos que fizeram isso comigo não merecem uma lágrima minha, porque o bandido não sou eu”.  

Eu estou fortalecido. Eu vou para o Conselho Nacional de Justiça Fazer minha defesa. Acha que eu vou mandar alguém ir lá fazer? Não. E eu só não vou para o Supremo fazer porque eu não posso, porque eu sou Juiz. E se eu deixar de ser Juiz para fazer minha defesa eu tenho impedimento, por causa da quarentena. Mas eu vou lá falar para os membros do Conselho Nacional de Justiça, não vou mandar ninguém no meu lugar. Eu vou com Suas Excelências olhando nos meus olhos, para saberem onde estou falando a verdade e de que lado está a verdade.

Não posso ficar falando, porque senão Vossa Excelência vai sair daqui à meia-noite.  

DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): Vamos fazer mais um intervalo, então, Desembargador?  

DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ EDUARDO CARREIRA ALVIM (REQUERIDO): Vamos.  

DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): Um intervalo de dez minutos, sem querer cortar ...  

DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ EDUARDO CARREIRA ALVIM (REQUERIDO): Vamos. Vai chegar a uns pontos. Doutor Abel, em que nós vamos correr, porque nós já falamos.   

(INTERVALO)


DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): Desembargador CARREIRA ALVIM, retomando o seu depoimento. Vossa Excelência gostaria de destacar mais alguma coisa a respeito das...
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NOTA: Acabei não fazendo a minha própria defesa no Conselho Nacional de Justiça, porque este fez chegar ao meu conhecimento que a minha presença na sessão, para fazer a minha própria defesa, poderia ser considerada uma “afronta” àquele órgão.
Fiquei sem entender, a uma, porque, no processo crime, a presença do réu é indispensável durante todo o julgamento, e isso nunca foi considerado “afronta”, e, a outra, porque a Desembargadora Federal Salete Macallóz já havia feito a sua própria defesa perante aquele Conselho.
Por isso, a minha defesa foi feita pela minha filha LUCIANA, mas, ao que parece, a decisão do CNJ já estava tomada, e só faltava anunciar em público a decisão.


                                                                                                                                                                                                                                                             



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