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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

UM JUIZ NO PARLATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL



(continuação)

"Lembro-me de que o delegado federal Gioia disse, logo que tomou conhecimento dessa nossa pretensão, de serem as visitas pessoais realizadas fora do parlatório, respondeu que, se fosse intimado, cumpriria à risca o mandado, mas que todos os advogados e advogadas teriam de ser devidamente revistados, o que provocaria uma fila enorme na entrada, atrasando o nosso encontro com eles.
Essa observação soou para nós como uma “desrecomendação”, principalmente quando feita por um delegado federal, pelo que nos sentimos desestimulados da nossa ideia; e alguns presos tiveram de convencer aos seus advogados de que era melhor continuar a falar no parlatório mesmo.
Quando entrei no parlatório, o meu irmão Bonifácio lá estava, de cabeça baixa, evitando olhar-me nos olhos, mas, no decorrer da conversa, passou a falar comigo, a encarar-me de frente com a certeza de que tudo não passava, como, realmente, não passava, de uma tremenda armação.
Foi esse meu irmão o primeiro a me dar a notícia de que a mídia havia divulgado uma conversa minha com meu genro, em que eu falara “minha parte em dinheiro”; pois até então eu não tinha tido conhecimento desse fato; e nem me lembrava de nenhuma conversa nossa envolvendo dinheiro; mesmo porque eu sabia que meus telefones e o meu gabinete estavam grampeados, e jamais iria tratar por telefone de nenhum assunto que não pudesse ser tratado publicamente."
(continua na próxima semana)
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 Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO, encontrável em www.saraiva.com.br e na Livraria Laselva (nos Aeroportos).

NOTA - Para quem não sabe, o Parlatório é aquele local onde o preso conversa com seu advogado, pelo telefone, separados por um vidro de grossa espessura.

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