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sábado, 14 de julho de 2012

COMEÇO DE UMA JORNADA


(continuação)
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     "Nessa época, o meu tempo fora do trabalho só era suficiente para “engolir” o almoço e o jantar, praticamente sem tempo para estudar ou frequentar regularmente as aulas da Faculdade, que eram aulas presenciais, e com os maiores expoentes das letras jurídicas brasileiras.

     Nos finais de semana, minha irmã, Maria Helena, hoje juíza federal em Minas, que frequentava comigo a mesma sala, cedia-me os seus apontamentos de aula, e eu passava o sábado e o domingo estudando. Já era assim a minha vida, quando eu era ainda um acadêmico de Direito.

     A minha distração era estudar, porque não tinha dinheiro nem para ir ao cinema, a não ser que optasse por deixar de lanchar nos finais de semana para assistir a algum filme. Lembro-me de que passava um filme em Belo Horizonte, no extinto Cine Metrópole, cujo título era A greve do sexo, em que, durante a exibição, a plateia quase punha o cinema abaixo de tanto rir. Passando por lá, me dava uma vontade louca de assistir a esse filme, mas, quando pensava assim, o estômago dava a sua bronca por antecipação, lembrando-me de que aquela extravagante distração me custaria o sanduíche do final de semana; e, então, eu desistia do filme em homenagem ao direito de alimentar-me, mesmo que fosse com um sanduíche.
     Como o dinheiro era curto, as roupas também eram escassas, e eu só tinha uma camisa tipo esporte, que vestia aos sábados, tendo de lavá-la à noite para vesti-la de novo no domingo, até que certa vez minha irmã, Maria das Graças, ganhou uma camisa do namorado, e, vendo a minha situação, resolveu presentear-me com ela, fazendo fortuna no meu visual, apesar dos meus 1,82m de altura e 51k de peso. Nunca me senti tão bem como ao vestir aquela camisa, fruto da generosidade da minha irmã; e tanto que esse fato nunca mais saiu da minha memória.
     Os livros de Direito em que eu estudava eram emprestados pela Biblioteca da Faculdade, pois não tinha condições de comprá-los nem em módicas prestações mensais." 


(continua na próxima semana)
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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável na www.saraiva.com.br e na LIVRARIA LASELVA, nos Aeroportos. 

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