segunda-feira, 19 de março de 2012

MONTAGEM DE UMA FARSA


(continuação)
O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, boiou tanto na elaboração da denúncia que me deu como integrante de uma quadrilha que autorizava mediante liminares o funcionamento de bingos no Rio de Janeiro e Espírito Santo, sem se dar ao trabalho de ler direito o que constava do inquérito policial, porque eu só mandara liberar máquinas de bingo, e não funcionar bingos.
Foi essa frase grampeada e montada pela Polícia Federal que os grampeadores vazaram para a mídia, tendo o repórter da Rede Globo se apressado em acrescentar à montagem a palavra “minha”, por sua conta, vindo as emissoras de televisão a pôr no ar a frase montada “minha parte em dinheiro, tá?”, que, sobreposta por escrito no vídeo e divulgada concomitantemente com a minha voz, que grande parte do mundo jurídico conhece, passou a impressão de que eu havia dito o que, na verdade, não dissera, mesmo porque a frase montada pela Polícia Federal, constante do seu relatório, era apenas “[...]arte em dinheiro, tá?”.
Essa montagem, irresponsável e criminalmente vazada pela Polícia Federal para a mídia, numa afronta à autoridade que determinara que as buscas e prisões fossem sigilosas, nem a Associação dos Juízes Federais, na época, conseguiu, apesar de insistentemente peticionado ao ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, fazer com que ele fizesse cessar as repetidas divulgações. Isso demonstra que nem sempre o poder para mandar importa na força moral para desmandar.
           Provavelmente a Polícia Federal não encontrou a palavra “minha”, nas conversas que tive com Silvério Júnior, porque, se tivesse encontrado, a teria acrescentado na montagem da maldita frase. 
(continua na próxima semana)

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

DO FURACÃO À CARCERAGEM [DA POLÍCIA FEDERAL, NO RIO DE JANEIRO] (parte final)



(cotinuação)
"Consegui, então, ligar para o advogado Sergio Bermudes, contando-lhe o que estava acontecendo – o que, aliás, já era do seu conhecimento –, tendo-me dito ele que nada entendia de Direito penal, e que iria contatar um criminalista e especialista no assunto, para que entrasse em contato com a minha família.
Sem poder certificar-me da autenticidade daquela cópia xerografada, com uma assinatura que “indicava” ser do ministro Cezar Peluso, não tive alternativa senão em consentir que a Polícia Federal, comandada pelo delegado de Santa Catarina, revirasse a minha residência pelo avesso, dando início à busca e apreensão.
Depois da minha soltura, e de novo no Rio de Janeiro, recebi um e-mail de uma ex-aluna minha, que morava em Blumenau, dizendo-me que tinha tomado conhecimento de que um delegado da Polícia Federal de Santa Catarina tinha sido deslocado para o Rio de Janeiro para prender bingueiros, mas que naquele próprio estado o jogo de bingo e caça-níqueis corria solto."

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

"DECIFRA-ME OU TE DEVORO" (2ª parte)

(continuação)
"Houvesse a Polícia Federal feito constar dos seus relatórios essa conversa, teria posto em evidência o contexto onde ocorrera a minha conversa com o meu genro a respeito de dinheiro, sem qualquer ligação com decisão liminar sobre máquinas de bingo, como concebido pela imaginação doentia de todos os que participaram desse doloroso episódio.
Em Buenos Aires, o ministro Cezar Peluso, que então já comandava o inquérito policial onde eu era um dos principais indiciados, participou inclusive da abertura do 69º Curso Internacional de Criminologia, compondo muitas das Mesas de Trabalho, fazendo-se também presente em todos os painéis que lá realizamos.
O ministro deve ter-se sentido muito desconfortável me ouvindo falar sobre a corrupção e os meios de combatê-la, o que eu fazia a cada intervalo de cada palestra, porque o tema central do evento era justamente “Os desafios da corrupção”; e ele supunha, induzido pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que eu pudesse ser um corrupto.
Como eu já conhecia o ministro Peluso de outros eventos, percebi que alguma coisa “não batia”, pois só tinha conseguido tirar com ele uma única foto, logo na abertura do evento. Nos intervalos dos trabalhos e debates que se seguiram, ele sempre se esquivava quando convocado por algum participante, para ser fotografado ao meu lado, ainda que na foto estivesse também o ministro Raúl Zaffaroni, o grande homenageado do evento, ou mesmo algum outro ministro colega seu.
                   Numa dessas oportunidades, lembro-me bem, o ministro Cezar Peluso deu uma vaga desculpa, de que não gostava de ser fotografado; e ia se retirando para bem longe, sem dar chance ao seu interlocutor de insistir no convite."
(continua na próxima semana).

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO, encontrável na www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

domingo, 11 de março de 2012

4ª RESPOSTA ENTREVISTA A REDE UH NEWS. CG MS

"DECIFRA-ME OU TE DEVORO"

Quando o delegado federal de Santa Catarina me disse que a ordem para realizar a busca e apreensão, e que depois fiquei sabendo que também decretava a minha prisão temporária, tinha sido dada pelo ministro Cezar Peluso, foi que entendi o que até então não tinha entendido quando estivemos juntos em Buenos Aires, poucos meses antes.
Por ironia do destino, o ministro Cezar Peluso, que supervisionou o inquérito policial que deu origem à Operação Hurricane, compareceu ao 69º Curso Internacional de Criminologia, realizado em Buenos Aires, pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Jurídicos (IPEJ-RJ), por meu intermédio; pela Sociedade Internacional de Criminologia, com sede em Paris, e pelo Instituto Jurídico Consulex, com sede em Brasília, a cargo de quem, aliás, ficaram as despesas de patrocínio do ministro e sua esposa, tendo todos os participantes se hospedado no Hotel Panamericano.
Para certificar-me de que não haveria falha no comparecimento da ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, que também aceitara ir ao evento, e do ministro Cezar Peluso e esposa, ambos patrocinados pela revista Consulex, liguei mais de uma vez para o seu diretor Luiz Fernando Zakarewicz, para confirmar a participação do seu Instituto no patrocínio para esses ministros, tendo ele me confirmado que estava tudo acertado com os próprios ministros.

              Fiquei surpreso que nenhuma dessas conversas tivesse aparecido nos relatórios da Polícia Federal, elaborado pelo delegado federal Ézio Vicente da Silva, conversa esta sem nenhum colorido de ilegalidade, mas que era a respeito de uma viagem de estudos de uma ministra do Superior Tribunal de Justiça, Eliana Calmon, e do próprio ministro do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, que havia autorizado os grampos nos meus telefones e da minha família e a interceptação ambiental no meu gabinete. 
                (continua na próxima semana)

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em  www.bondfaro.com.br.

FURACÃO TEM NOVA TIRAGEM.

A obra "Operação Hurricane: um juiz no olho do furacão", uma das mais lidas pela classe jurídica do País, depois dos livros técnicos, esgotou, na Editora Geração, que está se movimentando para a 3ª edição.
Enquanto a verdade não vier à tona, o Furacão varrerá este País. 

CARREIRA ALVIM FALA SOBRE O FURACÃO NO "SOS VERDADE"

Quem tiver interesse em conhecer os bastidores da "Operação Hurricane" e saber o que está por detrás da trama que as instituições (POLÍCIA FEDERAL, MINISTÉRIO PÚBLICO E SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL) armaram contra Carreira Alvim, para que este não chegasse à presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, entre no site www.programasosverdade.com.br e assista à entrevista.