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segunda-feira, 19 de março de 2012

"DECIFRA-ME OU TE DEVORO" (2ª parte)

(continuação)
"Houvesse a Polícia Federal feito constar dos seus relatórios essa conversa, teria posto em evidência o contexto onde ocorrera a minha conversa com o meu genro a respeito de dinheiro, sem qualquer ligação com decisão liminar sobre máquinas de bingo, como concebido pela imaginação doentia de todos os que participaram desse doloroso episódio.
Em Buenos Aires, o ministro Cezar Peluso, que então já comandava o inquérito policial onde eu era um dos principais indiciados, participou inclusive da abertura do 69º Curso Internacional de Criminologia, compondo muitas das Mesas de Trabalho, fazendo-se também presente em todos os painéis que lá realizamos.
O ministro deve ter-se sentido muito desconfortável me ouvindo falar sobre a corrupção e os meios de combatê-la, o que eu fazia a cada intervalo de cada palestra, porque o tema central do evento era justamente “Os desafios da corrupção”; e ele supunha, induzido pelo então procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, que eu pudesse ser um corrupto.
Como eu já conhecia o ministro Peluso de outros eventos, percebi que alguma coisa “não batia”, pois só tinha conseguido tirar com ele uma única foto, logo na abertura do evento. Nos intervalos dos trabalhos e debates que se seguiram, ele sempre se esquivava quando convocado por algum participante, para ser fotografado ao meu lado, ainda que na foto estivesse também o ministro Raúl Zaffaroni, o grande homenageado do evento, ou mesmo algum outro ministro colega seu.
                   Numa dessas oportunidades, lembro-me bem, o ministro Cezar Peluso deu uma vaga desculpa, de que não gostava de ser fotografado; e ia se retirando para bem longe, sem dar chance ao seu interlocutor de insistir no convite."
(continua na próxima semana).

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO, encontrável na www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

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