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domingo, 10 de agosto de 2014

PILATOS NÃO CONDENOU JESUS CRISTO À MORTE NA CRUZ




      Na semana passada, vi e ouvi uma repórter da Rede Globo dizer que "Pôncio Pilatos condenara Jesus Cristo" à morte, e deve ter colhido essa informação na internet, ou, mais propriamente na Wikipédia, que diz essa barbaridade.
     Na verdade, Pilatos, governador romano da Judeia, e que presidiu o julgamento de Jesus Cristo,  não queria condená-lo, por não estar convencido da sua culpabilidade; e buscou uma forma de salvá-lo da cruz.
    Como Jesus Cristo estava sendo julgado juntamente com Barrabás, um criminoso, responsável por insurgência, assassinato e roubo, e era costume, naquela época, libertar um prisioneiro por ocasião das festas da Páscoa, o governador supôs (e errou nessa suposição), que, se transferisse o julgamento de Cristo, dele para o povo, este condenaria Barrabás, e Jesus estaria absolvido. E fez, realmente, isso com aquele gesto --, cujo significado foi ignorado pela repórter --, de "Lavar as mãos". 
    Assim procedendo, Pôncio Pilatos, que deveria proferir a sentença (condenatória ou absolutória), transferiu o julgamento dos acusados para o povo da Judeia.  
     O tiro, porém, saiu pela culatra, pois, quando a multidão, que assistia ao julgamento, foi perguntada sobre quem queria absolver, um "gaiato", lá no meio do povão, gritou "Barrabás!", e a multidão foi atrás, sem pensar, gritando "Barrabás! Barrabás!". 
      Dessa forma, Barrabás foi absolvido e Jesus Cristo, condenado; do que se conclui que Jesus foi condenado, literalmente, "no grito".
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NOTA: O leitor conhece a frase "Lavei as mãos"? Pois é. Significa que, quando alguém lava as mãos, não toma partido, fica de fora. Foi o que Pôncio Pilatos fez no julgamento de Jesus Cristo.
              A oração do "Credo" (em italiano) ou "Creio! (em português), ao dizer que Jesus Cristo "Padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; etc." não quer dizer que foi Pôncio Pilatos que o matou, mas, simplesmente, que Jesus "foi morto no governo dele"; pois quem o matou foi o povo da Judeia (não o governador romano).
             Sob o assunto, a minha intenção foi apenas a de esclarecer a repórter, para que ela se informe melhor da próxima vez.

4 comentários:

  1. Maria Helena Carreira Alvim Ribeiro11 de agosto de 2014 08:18

    Está corretíssimo Desembargador Carreira Alvim; que bom que aproveita a sua proverbial inteligência para estudar e esclarecer pontos que muitos ignoram.

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  2. Nunca foi costume soltar prisioneiro por causa da páscoa. Não existe registro na história. Os romanos não se metia em religião dos povos conquistados e principalmente os hebreus nunca aceitavam intromissão nenhuma. Somente eram crucificados os condenados pela Justiça Romana e eram crucificados os rebeldes. Os que nasciam na Galiléia sempre foram rebeldes, revoltados (desde sempre, a história demonstra a revolta até contra a forma da administração do templo de Salomão).

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  3. Vejo sim a culpa de Pilatos, no ponto "que quem cala consente ". Ele poderia ter libertado, o povo (que em sua maioria acompanhava o julgamento de Jesus, vindo já condenado por Caifás), estava insitado a crucificação de Jesus e não absolvição, e quando Pilatos entrega Jesus a decisão do povo,lavando asaos covardemente estava também condenando o.

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  4. Equero ainda reinterar que o maior motivo dessa covardia de Pilatos, foi o fato de não perder a posição política que tinha no momento. Ele sabia que se negasse oque a multidão enfurecida queria, poderia causar uma revolução, e isso não ficaria bem para um governador. Então o entregou por posição política. E ainda hoje existem Pilatos modernos entregando Jesus por posição política também. Triste mas é fato.

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