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domingo, 22 de setembro de 2013

UMA HOMENAGEM AO DESEMBARGADOR RICARDO REGUEIRA, MORTO PELO FURACÃO.

   



 Se vivo fosse, o desembargador federal RICARDO REGUEIRA (na foto) estaria completando, em 24 de setembro, exatos 64 anos de idade. Morreu novo.
    Durante todo o tempo em que exerci a judicatura na Justiça Federal (19ª Vara do Rio de Janeiro) e no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro/Espírito Santo), convivi com Ricardo Regueira, que era um dos juízes mais honestos e com maior dose de sensibilidade social que conheci, e, também, com uma espiritualidade de fazer inveja a qualquer juiz. Infelizmente, não posso dizer o mesmo de muitos outros juízes deste País, ainda no exercício da função, lidando com a vida dos outros.
    O desembargador Regueira foi vítima da Polícia Federal, com a conivência do Ministério Público e do STF (leia-se Cezar Peluso), acusado de me haver cooptado para integrar uma quadrilha que agia no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, para viabilizar o jogo de bingo no Rio de Janeiro. Sucede, de um lado, que nem Regueira e nem eu demos qualquer decisão para "funcionamento de bingo", e, nas duas oportunidades em que participamos de julgamento envolvendo essa matéria, o nosso voto foi contra; de outro lado, todos os desembargadores do TRF-2 que concederam liminares para o funcionamento do jogo do bingo no Rio de Janeiro estão lá, no exercício da jurisdição, salvo aqueles que o tempo (Senhor da Razão) pôs pra fora por implemento da idade.
    O colega Regueira foi acusado de me ter solicitado decisões que pudessem favorecer o jogo no Rio, mas esta deslavada mentira só existe na cabeça de ÉLZIO VICENTE DA SILVA (Delegado da Polícia Federal), ANTÔNIO FERNANDO DE SOUZA (ex-procurador-geral da República) e de CEZAR PELUSO (ex-ministro do STF), que autorizou a pedido dos demais a interceptação de nossas conversas telefônicas. 
    Sabem o que o desembargador Regueira foi fazer no meu Gabinete, tendo interceptada a sua conversa comigo? Saber de mim se eu daria uma liminar para que um amigo seu pudesse viajar ao Exterior, porque o desembargador federal ABEL GOMES, depois de ter autorizado inúmeras vezes as suas viagens, resolvera "sem quê nem porquê" indeferir tal pedido. E eu, nessa oportunidade, disse a ele, que poderia até deferir, se me posse pedido, na esfera cautelar, mas que não adiantaria muito, porque o então presidente do TRF, desembargador federal FREDERICO GUEIROS, provavelmente suspenderia, pelo só fato de ser decisão minha, pois ele tinha o prazer mórbido de suspender minhas decisões como vice-presidente.
Dessa conversa, a Polícia Federal concluiu (inventou), o então chefe do Ministério Público endossou (imaginou) e o STF aceitou (supondo) que ele tinha me pedido para dar decisões em favor de bingos.
    Como disse, decisões sobre bingos não dei NENHUMA, porque as três decisões que concedi foram para liberar máquinas caça-níqueis de empresas que estavam funcionando com autorização liminar de desembargadores (diversos deles) do TRF-2, que não foram acusados de nada, e continuam no exercício da jurisdição no Tribunal. Sabem por quê? Porque sempre fizeram o jogo do Poder.
   A maior homenagem que eu poderia prestar ao desembargador federal RICARDO REGUEIRA é voltar a dizer que estou lutando para demonstrar o quanto fomos (eu e ele) vítimas dessa malfadada Justiça a que servimos, e que pensávamos ser uma verdadeira justiça, mas que, quase ao final da nossa judicatura, revelou-se ser simplesmente uma ANTIJUSTIÇA ou uma MIRAGEM. 
    É uma pena que o desembargador Regueira não esteja vivo, para ser absolvido de todas as infâmias armadas contra ele, pois, com a sua morte, o processo contra ele foi simplesmente ARQUIVADO, o que a Justiça adora fazer, pois, assim, ela não tem que reconhecer a precipitação e irresponsabilidade com que agiu nesse episódio.
   Tentaram (a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF) tirar o nosso chão, mas se esqueceram de que sabemos voar, e você estaria voando comigo, se não lhe tivessem indiretamente tirado a vida.
Costumo dizer que não estou me defendendo de nada do que me acusaram, porque quem se DEFENDE é criminoso, e eu (como você também) como uma vítima da Justiça, limito-me a EXPLICAR o quer verdadeiramente aconteceu, para que a sociedade brasileira extraia daí as suas próprias  conclusões.

DESCANSE EM PAZ AMIGO, PORQUE EU CONTINUO VOANDO, PARA FAZER PREVALECER A VERDADEIRA VERDADE DO QUE NOS IMPUTARAM E PUNIR OS VERDADEIROS BANDIDOS.
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NOTA: Leia "Morre a primeira vítima do furacão" em OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), onde falo da pessoa do desembargador Ricardo Regueira.

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