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domingo, 6 de janeiro de 2013

DEPOIMENTO PRESTADO PELO DESEMBARGADOR CARREIRA ALVIM, NO RIO DE JANEIRO, E QUE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA NÃO LEU.


PODER. JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
(Notas Taquigráficas SAJ/CORTAQ)                         (Audiência, 16/4/2010)
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(continuação)

 
Acontece que é aí que a providência divina vem em nosso socorro. Esse carro nunca foi do JÚNIOR. Quando isso aconteceu, eu ouvi lá na grade [cela] da Polícia Federal. O JÚNIOR estava do lado, a gente se encontrava; porque eles não tinham nem privada para usar. Eu chamava o JÚNIOR e, inclusive pedi ao carcereiro para colocar o JÚNIOR numa cela mais adequada porque ele é um advogado. Falei assim: "O que houve?" "Doutor, isso aí é um carro que o Jaime quis me vender. Acontece que ele deixou o carro comigo e eu chamei um amigo meu para fazer a vistoria no carro e ver quanto valia. E ele falou comigo que não valia o tanto que ele estava pedindo. Então eu devolvi o carro."
 
 
Acontece que no dia do meu aniversário, a Polícia Federal tinha ido lá e fotografado esse, carro na garagem do JÚNIOR. A partir daí, ela imaginou [inventou] que o JÚNIOR tivesse recebido o carro em pagamento de propina para intervir nas minhas decisões.

 
 Quando eles voltaram, no dia da Furacão, cadê o carro? Não estava lá, porque já havia sido devolvido. O carro não era [dele]...    

 
 DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): Vossa Excelência se lembra do contexto dessa conversa que foi dita como sendo ”a minha parte em dinheiro”?        Vossa Excelência se lembra do que foi conversado?

 
DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ EDUARDO CARREIRA ALVIM (REQUERIDO): Lembro-me. Vou contar.  
      
      
O que acontece? Não acharam [os Policiais Federais] o carro e havia cinco carros iguais na garagem [do JÚNIOR]. Acredita que eles [os Policiais Federais] foram de, casa em casa [de apartamento em apartamento], pedindo documento, pedindo placa? Porque acharam que o JÚNIOR teria, eventualmente, trocado placa para ocultar carro."  

 
Chegou a supor o Ministério Público que esse carro foi passado para a Boa Vista [a verdadeira proprietária] para ocultar a propriedade. Fizeram investigação e não se localizou nada. O carro foi lá para eles, porque é deles, está com eles. Não teve nada.

 
Bem, infirmou-se a tese do Ministério Público.

 
Aí fui procurar pela minha memória, Doutor ABEL. O meu irmão, que é médico, foi me visitar na prisão. Ele falou, assim: “Eduardo -- ele me chama de Eduardo --, é a sua voz que está na televisão.” Eu perguntei: "Mas, o que falou?" Ele, no princípio, chegou lá de olhos baixos. Eu disse: "Olha nos meus olhos, porque não tenho nada para esconder de você". Até que ele firmou os olhos nos meus e falou: "A minha parte em dinheiro". Eu falei: "Bonifácio, eu não falei isso. Isso não saiu da minha boca. Eu não tinha nenhum, motivo; nenhum negócio com o JÚNIOR para falar 'a minha parte em dinheiro'."

 
Depois que isso aconteceu, fui puxar pela memória para saber de onde saiu isso. E, aí, vou ter que me reportar de novo; que é onde o Molina pegou isso. Eu tinha ligado para o Ministro PEÇANHA MARTINS [do STJ], convidando-o para participar do evento de Buenos Aires, como palestrante. -- era para falar sobre “lavagem de dinheiro” -- e ele falou comigo assim: "CARREIRA AL VIM, eu não sou a pessoa mais indicada para isso. Quem é especialista nisso é o GILSON DIPP. Então, você conversa com ele [...]”

 

 
(continua na próxima semana)                                                                   (pág. 74)
 
NOTA: A partir dessa parte do meu depoimento, vai começar a aparecer a "manipulação" feita pela Polícia Federal, fazendo montagem de uma frase, com palavras extraídas da minha conversa com meu genro, para me incriminar (a famosa: "minha parte em dinheiro, tá?) conversa que nunca houve, a não ser na "montagem" feita pela Polícia Federal.  

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