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sábado, 15 de setembro de 2012

ENTREVISTA AO "DIÁRIO DIGITAL" DE CAMPO GRANDE-MS



NO OLHO DO FURACÃO

Editora: Neiba Ota
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Em 2007, o juiz José Eduardo Carreira Alvim foi preso na Operação Hurricane. Se preparava para presidir o Tribunal Regional Federal no Rio de Janeiro, mas entrou para a história. Aposentado, hoje ele corre o País denunciando um esquema para perpetuar grupos no comando da Justiça, como conta em "Operação Hurricane: um juiz no olho do furacão. (...)

PERGUNTA: O senhor imaginava um dia ser preso e escrever um livro sobre sua inocência?

RESPOSTA: Nem que viveria uma situação destas, em que escreveria um livro contando a verdade. A Justiça é assim quando alguém fala alguma coisa, o outro acredita, e isso vai se repetindo. A montagem que a Polícia Federal fez, dizendo que eu tinha dado liminar para o funcionamento de bingo no Rio de Janeiro, quando na verdade não dei, nem eu, nem o Ricardo Regueira, que morreu em função disso. O que eu dei foi uma liminar para máquinas de caça-níqueis, porque meus colegas [no TRF-2] tinham dado liminares para os bingos. Aí  o Ministério Público começa a denúncia assim: "Formou-se no Tribunal do Rio uma quadrilha para autorizar o fucionamento de bingos". Mas os quadrilheiros estão lá, porque não sou eu, nem o outro. Meu livro tem os nomes deles, as decisões que deram. Se há uma quadrilha, continua lá. 

(continua na próxima semana)
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NOTA: Os desembargadores federais que realmente deram decisões para o funcionamento de bingo no TRF-2, foram, dentre outros: Valmir Peçanha (aposentado), Frederico Gueiros (aposentado), Sergio Schwaitzer, André Fontes, Guilherme Calmon, Poul Erik, Raldênio Bonifácio, Fernando Marques, Reis Friede, Julieta Lunz, Liliane Roriz, Alberto Nogueira (aposentado).
Quer saber mais? Leia o capítulo "Decisões sobre o funcionamento de bingos no Tribunal", no livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial).
Mas para o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza (aposentado) e o ex-ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal, quem teria autorizado o funcionamento de bingos no Rio de Janeiro seriam eu e o desembargador federal Ricardo Regueira.
Assim funciona a justiça brasileira: pelo avesso.

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