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domingo, 6 de maio de 2012

COMEÇO DE UMA JORNADA


  
"O desembargador [CARREIRA ALVIM], vítima de uma das mais injustificáveis tramas armada neste país para afastar alguém da Justiça, porque decidia realmente de acordo com a consciência, sem fazer o jogo sujo do Poder, aí compreendida a Polícia Federal, e sem se curvar a escusos propósitos do Ministério Público Federal, sou eu, Carreira Alvim, e esta é a minha história, antes, durante e depois que me puseram no olho de um furacão, por razões infundadas e descabidas, que só existiram na cabeça dos que as imaginaram para barrar a minha chegada à presidência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Para isso, contou o Ministério Público Federal e a Polícia Federal até com a ajuda da própria Justiça, através do Supremo Tribunal Federal, na pessoa do ministro Cezar Peluso, que, se tivesse sido mais cauteloso, inteirando-se do que havia nos documentos “forjados” contra mim, teria visto que tudo não passava de uma maquiavélica trama no jogo pelo poder.
A trajetória da minha vida não foi nada fácil, pois as tragédias sempre conviveram comigo e com a minha família também. Eu tinha apenas vinte e três anos, cursando ainda o quarto ano na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, quando perdi meu pai, um vitorioso advogado, com apenas cinquenta e sete anos de idade.
Como eu estava passando para o quarto ano na Faculdade, pensava que, assim que me formasse, iria para o interior de Minas aprender a advogar com o meu pai, que tinha um razoável escritório de advocacia, abrangendo não só a comarca onde nasci como também as adjacentes.
 Confesso que tinha pena dos meus colegas que não tinham um pai advogado e que teriam que batalhar nos escritórios alheios para aprender a advogar; mal sabendo eu que o destino me reservava a mesma sina, pois, com a morte do meu pai, teria de começar sozinho, como a grande maioria começa.
A morte do meu pai foi o primeiro furacão que varreu a minha vida, pois eu era o terceiro filho de uma série de dez irmãos, e a segunda irmã, recém-formada em Letras, estava à procura de um emprego, quando tivemos de correr atrás da própria sobrevivência, comigo no comando da família, conduzindo mais sete irmãs e um irmão ainda adolescente.
Outro cataclismo me aguardava no ano de 1994, quando perdi minha mãe e uma irmã, mortas quase na porta de casa, quando voltavam de uma missa, causada por um irresponsável que fez do seu veículo a máquina do crime."

(continua na próxima semana)
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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial, já na 3ª edição), encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br

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