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domingo, 27 de maio de 2012

CHEGADA DE UMA GUERREIRA (continuação)



"(...) Foi essa garra que permitiu à minha filha, quando a sua casa foi tomada pela Polícia Federal, a pegar o telefone, ligar para o seu pai, quando o delegado encarregado da diligência a ameaçou de prisão por desacato à autoridade, mas a sua coragem em face da força, acabou se impondo como se fosse uma regra de direito natural.
Considero a minha filha, não apenas por ser minha filha, uma das mais legítimas representantes da classe dos advogados brasileiros, porque sabe defender como ninguém as prerrogativas da classe; coisa que nós, magistrados não sabemos fazer, defendendo a nossa.
Luciana permaneceu na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro durante todo o tempo em que estive lá, enquanto lhe foi permitido, só se retirando quando o expediente foi encerrado.
Todos os familiares dos presos ficaram aglomerados numa porta que dava para um corredor que conduzia às salas onde estavam, tendo eu a lembrança de ter visto ali alguns advogados conhecidos, além da juíza Lana Regueira, mulher do desembargador Ricardo Regueira, e sua filha Carol, também advogada, ambas em busca de notícias do marido e pai.
Desde a prisão do seu marido, a minha filha Luciana passou a viver num regime de prisão semi-aberta invertida, pois ela passava boa parte do dia na prisão, na companhia do marido, e ia para casa à noite para cuidar do filho do casal de apenas quatro meses e dormir com ele.
Não conheço nenhuma pessoa mais vocacionada para a tutela dos direitos humanos do que a advogada Luciana, porque fica indignada quando vê que a integridade física ou a moral das pessoas não está sendo respeitada:
 “Quando o ser humano perde a capacidade de se indignar, é porque se transformou num vegetal”."
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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), na sua terceira edição; encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

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