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domingo, 1 de abril de 2012

MONTAGEM DE UMA FARSA


(continuação)
Quando meu irmão Bonifácio, médico em Brasília, me visitou na carceragem da Polícia Federal, e me disse que tinha me ouvido dizer essa frase “minha parte em dinheiro”, e que a voz era realmente minha, tive a certeza de que tinha sido vítima de uma ardilosa trama do tipo Hitchcock, pela parte malsã da Polícia Federal, coadjuvada pela parte malsã do Ministério Público Federal, porquanto tal frase eu jamais havia pronunciado.
E não deu outra coisa, porquanto, chegando ao Rio de Janeiro, depois de nove dias de carceragem, tive a comprovação da montagem feita pelo grupo de grampeadores capitaneados pelo delegado federal Ézio Vicente da Silva, aceita pelo chefe do Ministério Público, que a repassou ao ministro relator Cezar Peluso, no Supremo Tribunal Federal, com base na qual este decretou a minha prisão temporária e as buscas e apreensões no meu gabinete, no IPEJ, na minha residência e na casa de campo.
Nenhum convidado aceita participar de eventos jurídicos com seus próprios recursos, sendo, sempre, patrocinado por alguém, alguma instituição ou alguma empresa privada, porque a Justiça não tem condições legais, nem recursos, para arcar com tais despesas; quando muito, a Justiça cede seus integrantes para engrandecer eventos jurídicos.
Os órgãos de controle interno, nos tribunais, constituem um desestímulo a qualquer intento de prestigiar eventos jurídicos à custas de recursos públicos, como se a cultura jurídica fosse coisa apenas de empresas privadas, que por sua vez se recusam em ter os seus nomes ligadas a eventos, temendo o Judiciário. 
(continua na próxima semana)

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com

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