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domingo, 15 de abril de 2012

DEPOIMENTO DOS INDICIADOS


"Certa manhã, alguém noticiou que seríamos ouvidos pelos delegados federais sobre os fatos constantes do inquérito policial, que servia de suporte à denúncia.
Como tínhamos entrevistas diárias com os advogados, estes tomaram também conhecimento de que todos os encarcerados das celas um a sete começariam a ser ouvidos.
A recomendação da defesa era para que ninguém falasse nada a respeito da operação furacão, exercitando o direito de “ficar calado”.
Não entendi o sentido dessa recomendação, mas como eu era um encarcerado e não um juiz tratei de segui-la à risca.
Confesso que essa recomendação não me agradou muito, pois eu estava louco para falar, fosse para quem fosse, sobre o que havia acontecido comigo a partir da minha prisão, porque a respeito do resto eu nem poderia falar, pois não sabia realmente de nada.
A única coisa que eu supunha, e nisso estava certo era que eu tinha sido preso por um “delito de opinião” ou “delito de jurisprudência”, por conta das decisões que havia proferido como vice-presidente do Tribunal, mas com as quais não concordavam alguns policiais federais e membros do Ministério Público Federal.
Eu queria muito falar, mas como “em boca fechada não entra mosquito”, preferi naquelas circunstâncias seguir a recomendação do advogado, e exercitar o meu direito de ficar calado.
Quando chegou a minha vez de ser interrogado, fui conduzido a um andar superior da carceragem, onde mais de um delegado federal se ocupava do ofício de ouvir os custodiados, adentrando uma sala preparada para essa finalidade, acompanhado do meu advogado."
(Continua na próxima semana).

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em www.bondfaro.com.br 

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