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domingo, 11 de março de 2012

MONTAGEM DE UMA FARSA

(continuação)
Em nenhum momento, as conversas entre mim e o ministro Peçanha Martins ou entre o ministro e Silvério Júnior aparecem nos relatórios da Polícia Federal, e só não aparecem por conveniência da Polícia Federal e do Ministério Público, porque elas provam o contexto da conversa que tive com meu genro, e a deste com o ministro, sobre a compra da passagem para Buenos Aires, o que comprometia a sua intenção de montar uma frase com as palavras “cortadas” da conversa.
O que aconteceu com a passagem do ministro Peçanha Martins foi que ela tinha sido comprada com escala, mas ele queria fazer uma viagem sem escalas, surgindo daí a dificuldade em complementar o que faltava para fazer a troca.
Como os grampeadores estavam à cata de uma conversa minha, fosse com quem fosse, a ligação que fiz para o meu genro foi para ela como “a sopa no mel”, porque, naquela oportunidade, eu pronunciara exatamente as palavras que ela precisava, para montar a frase que me incriminaria, pois, tendo eu falado em “parte aérea” e em “parte terrestre”, em que a palavra “parte” aparece duas vezes, e em compra de passagem “em dinheiro”, foi montada a partir daí a farsa que aparece no relatório da Polícia Federal “[...]arte em dinheiro, tá?”, tendo sido involuntariamente cortada a letra “p” (de parte); o que facilitou a comprovação da montagem pelo assistente técnico da perícia feita no processo a que responde meu genro.
Essa era também a oportunidade para afastar-me da disputa pela presidência do Tribunal, como seu candidato natural, por ser o mais antigo, cedendo espaço à pretensão do então desembargador Castro Aguiar, hoje aposentado, de se tornar o presidente da Corte.
                   Por isso, os grampeadores e montadores de frase não perderam tempo, montaram a frase e meteram-na no relatório do Inquérito Policial elaborado sob a direção de Ézio Vicente da Silva, para que o procurador-geral da República conseguisse do relator ministro Cezar Peluso, no Supremo Tribunal Federal, a decretação da minha prisão temporária e a busca e apreensão contra mim, deflagrando a famigerada Operação Hurricane, onde fui incluído no segundo nível da organização criminosa, como seu integrante, como se as decisões liminares para o funcionamento dos bingos tivessem sido dadas por mim; quando, na verdade, foram dadas por diversos outros desembargadores, que não eu."
                       (continua na próxima semana).

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável em www.saraiva.com.br e em  www.bondfaro.com.br.

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