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domingo, 26 de fevereiro de 2012

PODER PARA PRENDER SEM FORÇA PARA CONTROLAR

                   (continuação)

Na época, a Associação dos Juízes Federais era presidida pelo juiz federal Fernando Mattos, do Rio de Janeiro, que, sendo um juiz, deveria conhecer como ninguém o princípio da presunção de inocência, pois reza a Constituição que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
O então presidente Fernando Mattos acabou fazendo uma comparação das mais infelizes entre a minha prisão e a do juiz substituto referido na precitada carta, dizendo que a Associação teve o comportamento que teve porque eu havia sido preso por determinação do ministro Cezar Peluso do Supremo Tribunal Federal, enquanto o juiz fora preso por policiais civis do CORE; como se ser preso por decisão de um ministro do Supremo Tribunal Federal fosse um atestado prévio para ser considerado culpado; e como se o ministro fosse infalível e estivesse acima da verdade e do bem e do mal.
O fato de ter eu sido preso por determinação de um ministro do Supremo Tribunal Federal gerou no espírito do então presidente da Associação, Fernando Mattos, que convivia comigo no Conselho de Administração do Tribunal, como representante dos juízes, uma presunção de culpa, passando a impressão de que a seu ver o ministro Cezar Peluso estava certo e eu errado; mesmo antes de eu ser julgado.
Se isso acontece na cabeça de um juiz federal, que foi presidente da Associação de Juízes Federais, fico imaginando o que não terá passado na cabeça de tantas pessoas leigas, quando a mídia divulgou que eu estava sendo preso por decisão daquele ministro.
                   Depois de ter sido preso sem estar ainda condenado, quando muitos condenados nem são presos, e ter passado tudo o que passei, e ainda estou passando, juntamente com a minha família, me lembro da “Oração de Natal de um órfão de guerra”, quando lamenta: “Se os tais de heróis não voltam para casa, será que vale a pena ser herói?” 
                      (Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável na Livraria Saraiva e no www.bondfaro.com.br)

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Desembargador Carreira Alvim, o senhor é um grande herói e um verdadeiro vencedor. Admiro seu trabalho. Agradeço pela sua atitude, pois acredito que o povo tem o direito de saber o que aconteceu e o que acontece. Pode ter certeza que tem muita gente que te respeita como um maravilhoso profissional na área do Direito e da justiça. Parabéns! Continua divulgado tudo o que acontece em seu blog, palestras, rádios entre outros. Essa injustiça não pode ser esquecida. Estarei sempre ao seu lado!

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