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domingo, 25 de dezembro de 2011

O DESEMBARGADOR ANDRÉ FONTES ERA UMA PRESENÇA CONSTANTE NO MEU GABINETE E NAS FESTAS NA MINHA CASA.

"Como se diz lá em Minas, “cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”, pelo que, sempre que me encontrava com o ainda desembargador federal Benedito Gonçalves, atualmente ministro do Superior Tribunal de Justiça, e o desembargador André Fontes, perguntava-lhes como iam as coisas, e eles me respondiam que “estava tudo bem”. Aliás, o então desembargador Benedito Gonçalves, hoje ministro, sempre que me encontrava no elevador, me cumprimentava como “Meu futuro presidente”, enquanto o desembargador André Fontes era uma presença constante no meu gabinete e nas festas na minha casa. No entanto, ambos viriam a compor a chapa alternativa que chegou à presidência da Corte na tumultuada eleição, em que foram preteridos todos os candidatos naturais, que eram os mais antigos no tribunal.
A decisão que proferi no caso conhecido como “American Virginia”, concedendo uma liminar para que uma fábrica de cigarros não fosse fechada por conta de dívida com o fisco, no que apliquei a jurisprudência dominante no Supremo Tribunal Federal – que não permitia a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para a cobrança de tributo –, azedou as minhas relações com alguns desembargadores por um motivo que não deveria habitar a alma de um juiz, mas que infelizmente habita, que é a vaidade humana."

(Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO, encontrável em www.bondfaro.com.br).

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