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domingo, 13 de novembro de 2011

"O QUE FIZERAM COM CARREIRA ALVIM FOI UM ABSURDO. UMA ARBITRARIEDADE DA PF E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL": PERITO PROF. RICARDO MOLINA DA UNICAMP.

"GRAVAÇÃO NÃO É PROVA"
É o que defende Ricado Molina: "Serviu para expor o cara de maneira brutal".
As gravações que evidenciariam a relação de possíveis magistrados corrompidos, entre eles, José Eduardo Carreira Alvim, com donos de casas de bingo foram totalmente contestadas em laudo feito por Ricardo Molina, professor da Unicamp e prito privado. "Não poderiam servir para denunciar nem acusar ninguém", afirma.
Mesmo assim, a Rede Globo colocou frases no ar, ao aunciar, em edição extraordinária, a ação da  Polícia Federal em 2007. "As frases veiculadas pela Glbo não estavam no áudio. Imaginaram coisas; a imprensa colocou no ar, e tudo virou verdade", diz Molina.
Segundo ele, "não existe objetivamente aquilo que foi ao ar no áudio". Por isso, Molina fala que "não se pode garantir que não foi adulterado". E garante que 43% da conversa telefônica desapareceu, o que corresponde a 16 segundos.
"Foram duas gravações, uma que teria a fala de Carreira e outra, na qual ele foi citado durante uma conversa, por uma pessoa no fundo, que não se sabe quem é. Ou seja, uma pessoa não identificada fala e isso serve para incriminar."
Molina fez uma comparação: "Alguém fica no áudio escutando o que eu falo, e se eu disser que hoje estou com vontade de matar um cara, vai e me prende. Fofoca vira verdade."
De acordo com Molina, principalmente depois da Operação Hurricane, a PF muou um pouco de postura.
"O que fizeram com o Carreira Alvim foi um absurdo. "Uma arbitrariedade da PF e do Supremo Tribunal Federal. Não se se ele é ou não culpado, mas em um Estado de Direito, a prova precisa ser bem constituída. Gravação não é prova, é indício. Não prova que fez isso ou aquilo. Posso falar uma coisa e não ter feito."
Para o perito, a liberdade de interpretar "foi uma arbitrariedade gigantesca; são provas que servem aos interessados da acusaão". Eele recora que nesse caso foram quase dois anos ou mais de gravação. "Não foi uma investigação sobre um fato, mas sobre um indivíduo. É como chegar num rio e jogar a rede para pegar um peixe. Ora, pode ser que naquele rio nem tenha peixe. Então, vamos esperando alguém cair na rede. Nessa situação, em dois anos até o Papa pode falar algo. Ou mesmo a Madre Teresa de Calcutá poderia cair na rede."
Segundo Molina, para gravar é preciso ter indício concreto do que se quer provar: "E não gravar para ver o que vai acontecer. Aí alguém, algum dia, fala alguma coisa. Isso não é Estado de Direito. A lei diz 15 dias e mais 156 dias. Eles entendem 15, mais 15, mais 15, mais 15. E ele foi preso por causa das gravaç~çoes.
Para o perito, hoje, até a própria perícia da PF "deve concordar que as gravações não são provas, mas serviram para expor o cara de maneira brutal". Apesar da defesa, Molina reconhece que, após a CPI dos Grampos, muita coisa mudou. Mesmo assim, ainda há muitos processos sob suspeita "de que gravaram primeiro e pediram autorização depois, sem indícios concretos que, de repetente, apareceram depois.
O caso de Carreira Alvim não difere de outros, segundo Molina. A diferença é que "ele teve a coragem de se expor, de bater de  frente com a PF e a mídia. Conheço muita gente que se retraiu e, mesmo conseguindo reverter a situação lá na frente, ficou calada. Carreira fez porque não teve medo. Mas também porque tem cacife". (DV).
(Esta entrevista foi concedida pelo prof. Ricardo Molina da UNICAMP ao jornalista Décio Viotto, do Diário do Comércio, na edição dos dias 5, 6 e 7 de novembro).

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