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domingo, 7 de dezembro de 2014

A TRAMA DIABÓLICA


(continuação)
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Outro integrante da UDN, memória viva e exponencial da política goiana – de quando se exercia a política por idealismo – é o advogado Olímpio Jayme, que também tomou conhecimento por terceiro da imoral reunião. De imediato, repudiou a estúpida ideia de assassinar um companheiro para atingir um adversário político.
Em encontro social, o desembargador Norival Santomé, oriundo do quinto constitucional da advocacia, indagou-me se eu tinha conhecimento da trama da morte do meu pai no período da “revolução”, contado a ele não se recordando por quem. Comentamos o fato, o que lhe causou mais indignação.
Apesar de haver escapado da guilhotina, a perseguição a meu pai continuou por um bom tempo. Marcos Antônio Brito de Fleury, chefe da Polícia Federal e comandante da repressão em Goiás, era temido pelas atrocidades que cometia nos porões da tortura do regime de exceção.
Com a queda de Mauro Borges, começou o ciclo da ditadura militar. Em Goiás, foram nomeados generais que marcaram sua passagem pelo Palácio das Esmeraldas mais pelas trapalhadas que protagonizaram que por alguma realização em benefício da população. Houve quem desfrutasse das jabuticabeiras da sede do governo. Outro comeu até os pavões que lá eram criados. Um terceiro deu nome à fonte de água termal da Pousada do Rio Quente, o Poço do Governador, seu recanto predileto. Quanto a obras em benefício do Estado, nada fi zeram.
A repressão em Goiás, como em todo o Brasil, tinha

uma face dura, de crueldade sem limites. Torturou, matou e fez desaparecer jovens idealistas cujo único pecado era ser contra o regime militar. O ciclo do governo dos generais ainda hoje é duramente criticado, mesmo depois da anistia política que somente serviu para encobrir a barbárie praticada pelos militares

(continua na próxima semana)
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Trecho do livro QUANDO O PODER É INJUSTO (Editora Kelps), de autoria de Eládio Augusto Amorim Mesquita.




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