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sábado, 25 de outubro de 2014

A TRAMA DIABÓLICA











(continuação)
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Foi o que aconteceu em relação a Heli Mesquita. Como meio de precipitar a queda do governador Mauro Borges, algum tempo antes da deposição deste, um grupo de integrantes da UDN arquitetava, entre quatro paredes, uma trama diabólica. Queriam um pretexto para apear do poder o então governador. Então, depois de muita discussão, elegeu-se um companheiro da própria sigla para sacrifi car. Heli Mesquita deveria ser assassinado, a culpa pela morte do vereador oposicionista inescapavelmente recairia sobre Mauro Borges.
Mas por que Heli? Era um dos nomes fortes da UDN, vereador e presidente da Câmara Municipal de Goiânia – pela quinta legislatura – com livre trânsito entre os militares, especialmente no 10º BC, sob o comando do coronel Danilo Darcy de Sá da Cunha e Melo.
Porém, graças a essa articulação de Mesquita, a trama foi descoberta a tempo e poupada a vida do vereador.
O episódio ainda hoje é lembrado por políticos contemporâneos de meu pai. Dia desses esteve em meu escritório José Roberto da Paixão, um expressivo personagem da advocacia e da política, que integrou o Tribunal de Justiça do Estado como representante do quinto constitucional da OAB-GO. Ele me indagou se sabia da reunião secreta em que se decidiu pela morte de Heli Mesquita. Disse-lhe que sim, e provei, citando detalhes ocorridos na macabra assembleia, fatos por ele confirmados, uma vez que a trama para a deposição de Mauro Borges buscava uma vítima influente no processo político para atingir esse fim – meu pai. Na ocasião, Paixão revoltou-se contra o insano ato de tão desleais companheiros da UDN, confessou em minha sala no escritório.
O fato se tornaria público somente anos mais tarde, em duas reportagens, uma delas no jornal Cinco de Março, do jornalista Batista Custódio, e a outra do advogado e jornalista Neiron Cruvinel, no jornal O Repórter. Ambos já tinham ciência desse fato.

(continua na próxima semana)
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 Trecho do livro "QUANDO O PODER É INJUSTO" (Editora Kelps), de autoria de Eládio Augusto Amorim Mesquita, que foi também uma das vítimas da "Justiça", e conta seu drama nesse livro, para não deixar impunes seus algozes.

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