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sábado, 30 de novembro de 2013

APRESENTAÇÃO DO LIVRO DO FURACÃO



(continuação)

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(...) Perguntei pelo mandado de prisão, e ele respondeu que havia um mandado, mas que ele não o tinha trazido, mas que mesmo assim eu tinha que acompanhá-lo. Chamei as pessoas que acompanhavam a diligência, como a síndica do prédio, meu motorista, a nossa empregada e a minha mulher, e lhes disse que eu estava sendo preso. Tentei fazer esse delegado entender que na minha carteira profissional de desembargador estava escrito que, se eu fosse preso, deveria ser apresentado ao presidente do Tribunal, mas ele me disse que o que estava fazendo era por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal e que era “operacional”, pelo que nada tinha a ver com as prerrogativas da minha função, que vi nesse momento serem mandadas para o espaço.

Enquanto se desenrolavam as diligências de busca e apreensão, a Rede Globo de Televisão colocou seu jornal no ar em regime de plantão, noticiando que eu havia sido preso juntamente com outros vinte e cinco investigados numa operação realizada pela Polícia Federal e batizada de Hurricane ou Furacão, e levado para a carceragem no centro do Rio.

Neste momento, eu estava ainda em casa, comandando a Polícia Federal na busca e apreensão na minha casa, embora mais tarde, com a cópia do mandado de prisão nas mãos, que me foi mostrado já na carceragem, tomei conhecimento de que a minha prisão temporária tinha sido decretada para que eu não interferisse nessas buscas que ali seriam feitas.

Já na carceragem da Polícia Federal, encontrei-me com o meu genro e com o desembargador Ricardo Regueira, o que me deixou ainda mais surpreso, porque o desembargador já havia sido vítima de uma operação da Polícia Federal, por conta de suposições, cujo processo instaurado no Superior Tribunal de Justiça tinha sido anulado e arquivado pelo Supremo Tribunal Federal com voto condutor do mesmo ministro Cezar Peluso que mandara prendê-lo de novo como integrante agora de uma quadrilha de bingos.

Sem saber do que era acusado, fui mantido na carceragem da Polícia Federal, sem comer e beber nada e num calor infernal, tendo sido colocado numa sala onde se encontravam todos os demais presos na operação, como que a me exibir como troféu aos donos dos bingos para desmoralizar-me perante todos. (...)
(continua na próxima semana)

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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável, inclusive na versão e-book, nas livrarias SARAIVA e TRAVESSA, e em www.livrarias.saraiva.com.br, www.travessa.com.br, www.livrariacultura.com.br e também em www.estantevirtual.com.br, www.bondfaro.com.br e em outras livrarias do País.

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