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domingo, 11 de agosto de 2013

DESMONTANDO A TRAMA [DA POLÍCIA FEDERAL]

(continuação)
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Acrescenta o perito que tal como se encontra, a gravação está no mínimo incompleta, e 16 segundos não é pouco tempo numa conversação; ou pior, foi montada de modo a simular uma conversação verdadeira.
Afirma também o perito que gravações cujos blocos de fala são separados por períodos de silêncio, ou seja, nas quais não existe ruído de fundo coerente não permitem ter sua autenticidade categoricamente comprovada, porque, não havendo possibilidade de se analisar mudanças abruptas no ruído de fundo, um potencial fraudador poderia, sem dificuldades, retirar, inserir, alterar a ordem cronológica ou praticar qualquer modificação sem que sua ação pudesse ser posteriormente detectada.
No caso específico dessa gravação, diz o perito, e mesmo sem adentrar o perigoso terreno da interpretação semântica, é evidente que a falta de 16 segundos de conversação poderia alterar significativamente o contexto da conversação restante, e como não podemos saber de onde foram retirados os 16 segundos, a gravação dentro de uma análise pericial rigorosa, fica comprometida. E mais, também não podemos afirmar se trecho ou trechos de outras gravações foram artificialmente inseridos de modo a criar ou sugerir sentidos originalmente não existentes.
A gravação em que alguém diz que “um milhão seria para Carreira Alvim” não apresenta na visão do perito divergência quanto à duração efetiva e a duração registrada no relatório da Polícia Federal, sendo mais provável, embora não inteiramente seguro, que a descontinuidade seja apenas uma falha local, sem efeitos globais quanto à alteração de sentido.
Na verdade, pelo que se depreende dos quesitos apresentados, um dos questionamentos mais importantes quanto a esta gravação diz respeito ao que foi efetivamente dito pelas vozes de fundo, tendo o perito podido verificar que: a) restam apenas fragmentos esparsos audíveis; b) sendo a maior parte da conversação de fundo ininteligível, algumas falas audíveis ficam totalmente descontextualizadas; c) certamente não se poderia identificar com análises instrumentais as vozes de fundo, em função da qualidade e baixa amplitude do sinal.
 
(continua na próxima semana)
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Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável nas livrarias SARAIVA e também em www.saraiva.com.br, www.estantevirtual.com.br, www.bondfaro.com.br e nas livrarias de todo o País.

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