Pesquisar este blog

domingo, 4 de agosto de 2013

DESEMONTANDO A TRAMA [DA POLÍCIA FEDERAL]

(continuação)
_________________________________________________________________



Na análise da gravação sobre a minha conversa com o meu genro, foi constatada a existência de duas descontinuidades no fluxo de gravação, tendo a primeira descontinuidade ocorrido em meio à fala do interlocutor 2, que era eu, “tá me ou/...”, dando a entender que a sentença completa, ou ao menos parte dela, seria “Tá me ouvindo?”; enquanto a segunda descontinuidade ocorre também durante outra fala do interlocutor 2, que era eu, mais especificamente no trecho no qual se ouve “/arte em dinheiro”, tendo os dois primeiros elementos de formação permitido afirmar que a consoante cortaria seria a letra “p”.

Para o perito, não é possível afirmar categoricamente que a palavra pronunciada teria sido “parte” ou outra mais extensa como “reparte”, por exemplo, não sendo possível saber a extensão do enunciado original, ou seja, quantas e quais palavras foram efetivamente suprimidas em decorrência dessa descontinuidade. Uma possível explicação para a segunda descontinuidade seria alguma imprecisão relacionada com dispositivo de detecção automática de fala, podendo esse dispositivo ter falhado, o que teoricamente explicaria a descontinuidade no trecho “/arte em dinheiro”.

A outra descontinuidade ocorrente na mesma gravação, a saber, no trecho “ta me ou/...”, poderia ser atribuída também a uma falha do sistema, visto que o corte abrupto se dá durante o segmento vocálico, ou seja, enquanto a amplitude do sinal está em nível alto e quase constante; mas não haveria motivo para o dispositivo automático de detecção de fala falhar, visto que a fala já tinha sido detectada e estava em nível alto no momento do corte abrupto.

Outro aspecto relevante na gravação é o fato de a duração relatada no relatório da Polícia Federal ser de 37 segundos, bem maior do que a duração total do arquivo correspondente à gravação, de penas 21 minutos e 273 segundos, havendo 16 segundos faltantes na gravação. Em outras palavras, cerca de 43% da conversação telefônica correspondente à gravação simplesmente desapareceu.

(continua na próxima semana)
__________________________________________________________

Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: UM JUIZ NO OLHO DO FURACÃO (Geração Editorial), encontrável nas livrarias SARAIVA e também em www.saraiva.com.br, www.estantevirtual.com.br, www.bondfaro.com.br e nas livrarias de todo o País.

Nenhum comentário:

Postar um comentário