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domingo, 17 de fevereiro de 2013

DEPOIMENTO PRESTADO PELO DESEMBARGADOR CARREIRA ALVIM, NO RIO DE JANEIRO, E QUE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA NÃO LEU.



PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
(Notas Taquigráficas  SAJ/CORTAQ)           (Audiência, 16/4/2010)

(continuação)
Isso não existe. Quer dizer, isso que eles colocaram aqui não tem contexto. O que  constava é que eu estava enrolando... "Um milhão...".  Eles queriam, com certeza, cobrar mais para mostrar serviço e fizeram... O que fazem não é comigo não. Fazem com qualquer pessoa e me venderam sem que eu tivesse conhecimento.     

Na análise desses quesitos, o que, acontece? Foi o pior. Quando o advogado do JÚNIOR pergunta se houve corte ou manipulação - como é visível na fita, porque há espaços -, eles [os peritos da Polícia Federal] tinham que responder que houve. Mas, o que falavam? Vide o que responde ao quesito tal. Chega-se lá e não tem nada a ver com o tal quesito.  

Se não estivesse atuando lá o perito Molina, eles teriam dito que tudo aquilo que está na  informação da Polícia Federal seria verdadeiro.

DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): O que Vossa Excelência acha dessa atitude da Polícia Federal em querer envolver o seu nome? Porque isso passaria por um Delegado, que estaria à frente dessa operação, e, num segundo plano, por peritos que foram chamados a confirmar, ou por agentes que ficavam na escuta, fazendo as anotações. Um Delegado que preside, os agentes que são os analistas...

DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ EDUARDO CARREIRA ALVIM (REQUERIDO): Mas lá, não tem isso, não.

DESEMBARGADOR FEDERAL ABEL GOMES (RELATOR): E mais um perito que iria examinar isso. Por que é que essas pessoas teriam feito esta instrução?  

DESEMBARGADOR FEDERAL       JOSE EDUARDO CARREIRA ALVIM  (REQUERIDO): É muito difícil sabermos do propósito das pessoas.  

Polícia Federal é uma instituição que não tem face. Eu nunca vou conseguir saber quem montou isso, porque eles falam que trabalham em grupo e que se revezavam. Civilmente, pode-se responsabilizar, por exemplo, um Delegado que fez uma coisa e que foi provada que é falsa. Agora, colocar na cadeia pelo que fez, vai ser difícil, porque a dúvida beneficia o réu, e não vai se saber, dentre as pessoas que fizeram o rodízio, quem fez essa montagem.

Agora, o objetivo maior era que eu não fosse para a Presidência do Tribunal, Aliás, eu pensei que esse fosse o objetivo maior. E eles resolveram montar. Na época, eu não tinha muita desconfiança do Ministério Público. Hoje a minha visão já é diferente, porque foi o Procurador-Geral da República [ANTÔNIO FERNANDO DE SOUZA] que foi lá pedir autorização para grampear, etc.  

Eu vejo o Ministério Público querendo muito controlar a Polícia Federal. Existe uma lei... A Polícia Federal é contra o Ministério Público. O Ministério Público quer controlá-la e ela é contra o Ministério Público. É difícil eu saber por que fizeram isso comigo. Eu não sei. Eu só posso atribuir a isso: eles não queriam que eu assumisse a Presidência do Tribunal.           

Agora, foi uma forma muito sórdida de fazer, porque me fez sofrer, a minha família e a meus amigos.  
(continua na próxima semana)
                                                                                                                                             80

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