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domingo, 15 de abril de 2012

O QUE FIZERAM COM O CARREIRA ALVIM FOI UM ABSURDO: "UMA ARBITRARIEDADE DA PF E DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL"


GRAVAÇÃO NÃO É PROVA


É o  que defende Ricardo Molina: "Serviu para expor o cara de maneira brutal".

As gravações que evidenciariam a relação de possíveis magistrados corrompidos, entre eles José Eduardo Carreira Alvim,  com dono de casas de bingo  foram totalmente contestadas em laudo feito por Ricardo Molina, professor da Unicamp e perito privado. "Não poderiam servir para denunciar nem acusar ninguém", afirma.
Mesmo assim, a Rede Globo colocou frases no ar, ao anunciar, em edição extraordinária, a ação da Polícia Federal em 2007. "A frases veiculadas pela Globo não estavam no áudio. Imaginaram coisas; a  imprensa colocou no ar, e tudo virou verdade", diz Molina.
Segundo ele, "não existe objetivamente aquilo que foi ao ar no áudio". Por isso, Molina  fala que "não se pode garantir que não foi adulterado". E garante que 43% da conversa telefônica desapareceu, o que corresponde a 16 segundos.
"Foram duas gravações, uma que teria a fala de Carreira e outra, na qual de foi citado, durante uma conversa, por uma pessoa no fundo, que não sabe quem é. Ou seja, uma pessoa não identificada fala e isso serve para incriminar." 
Molina fez uma comparação: "Alguém fica no áudio e escutando o que eu falo, e se eu disser que hoje estou com vontade de matar um cara, vai e me prende - Fofoca vira verdade." De acordo com Molina, principalmente depois da Operação Hurricane, a PF mudou um pouco de postura.
"O que fizeram com o Carreira Alvim foi um absurdo. "Uma arbitrariedade da PF e do Supremo Tribunal Federal. Não sei se ele é ou não culpado, mas em um Estado de Direito, a prova precisa ser bem constituída. Gravação não é prova, é indício. Não prova que fez isso ou aquilo. Posso falar uma coisa e não ter feito."
Para o perito, a liberdade de interpretar "foi uma arbitrariedade gigantesca; são pro-vas.que servem aos interessados da acusação". Ele recorda  que nesse caso foram quase dois anos ou mais de gravação. "Não foi uma investigação sobre um fato, mas sobre um indivíduo. É como chegar num rio e jogar a rede para pegar um peixe. Ora, pode ser que naquele rio nem tenha peixe. Então, vamos esperando alguém cair na rede. Nessa situação, em dois anos até o Papa pode falar algo. Ou mesmo a Madre Teresa de Calcutá poderia cair na rede."
Segundo Molina, para gravar  é preciso ter indício concreto do  que se quer provar. "E não gravar para ver o que vai acontecer. Aí alguém, algum dia, fala alguma coisa. Isso não é Estado de Direito. A lei diz 15 dias e mais 15 dias . Eles entendem 15, mais  15, mais 15, mais 15. E ele foi preso por causa das gravações."
Para o perito, hoje, até a própria perícia da PF "deve concordar que as gravações não são provas, mas serviram para expor o cara de maneira brutal". Apesar da defesa, Molina  reconhece que, após a CPI dos Grampos, muita coisa mudou.
Mesmo assim, ainda há muitos processos sob suspeita "de que gravaram primeiro e pediram autorização depois, sem indícios concretos que, de repente, aparecem depois".
        O caso de Carreira Alvim não difere de outros, segundo Molina. A diferença é que "ele teve a coragem de expor, de bater de frente com a PF e a mídia. Conheço muita gente que se retraiu e, mesmo conseguindo reverter a situação lá na frente, ficou calada. 
         Carreira fez porque não teve medo. Mas também porque  tem cacife." (Décio Viotto, do Diário do Comércio de S. Paulo)

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