Pesquisar este blog

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DEPOIMENTO PRESTADO POR CARREIRA ALVIM, NO RIO DE JANEIRO, MAS QUE O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA NÃO LEU.

(Continuação)
     Foi aí que surgiram essas fotos que parecem cópia e não dá para identificar. Entretanto, eu li que o ANTÔNIO FERNANDO DE SOUZA disse que pareceu relação de amizade porque eu teria sido beijado no rosto por um dos presentes. Pela minha própria felicidade, sabe que respondi na minha defesa? Em primeiro lugar, beijo não significa demonstração de amizade. (...)
     Eu digo para ele que beijo é cultural: o russo cumprimenta beijando na boca, o argentino cumprimenta, beijando no rosto. (...) E eu disse para ele que, se estivesse num jantar em que estiveram o LEVANDOWSKI e o JOAQUIM BARBOSA , quem visse a forma como ele (ANTÔNIO FERNANDO DE SOUZA) me cumprimentou, pensaria que nós dois seriamos muito íntimos, e eu nem sabia quem era ele. "Como vai o senhor?" Ele é um homem secarrão - Vossa Excelência conhece e sabe. Da forma como ele me cumprimentou, quem estivesse  perto pensaria que eu tinha intimidade com ele, mas não tinha. Ele esteve nesse jantar que eu também estive (na casa do Siqueira Castro).
Então, não posso responder por um fato que não dependeu de mim, que eu não sabia quem eram e que, se foi ali, ainda que tivesse sido com algum propósito oculto, ele não foi manifestado. Aí, então, eu estaria sendo punido por alguma coisa que alguém pensou em fazer e não fez. Primeiro, não era nada de máquina e nem de bingo. Por quê? Porque isso foi em janeiro de 2007. Eu nem sei o que essas pessoas foram fazer la. Foram fazer o quê? Se eu já tinha dado liminares em junho e já tinham sido cassadas; o STJ já tinha dado e o Supremo já tinha casado. Pergunto a Vossa Excelência: qual o sentido de essas pessoas estarem comigo, a não ser pelo prazer de estar? Porque juiz é igual a artista de cinema e televisão: todo mundo quer estar perto. E eu percebi isso porque, antes do Furacão, um professor, meu colega, toda vez que atendia ao telefone, falava: "Eu estou aqui com o Desembargador CARREIRA ALVIM. Ele é meu amigo." E eu tive a oportunidade de vê-lo atender outra vez: "Eu estou com uma pessoa e não posso falar com você agora". Entendeu? Quer dizer, antes, eu era o Desembargador CARREIRA ALVIM, amigo dele. Depois do Furacão, "eu estou com uma pessoa". Quer dizer, ficou com medo. 
     A Tetê, quando sai comigo e vê um artista de televisão, sai atrás. Eu parei uma vez num shopping para conversar com a Renata Sorah e fiquei preocupado de tanto que ela conversava conosco. Eu falei: eu sei que você está correndo e nós também. Porque eu não pensei que uma artista desse tanta atenção quanto ela deu à mim e a Tetê. Ela fazia aquele papel de Procuradora da República e era amiga da Teresa Gaia, e, então, falei com ela que eu tinha sido Procurador da República também e estava achando bonito o papel dela. Eu cheguei a ficar incomodado com tanta atenção que ela nos deu.
    Então, juiz é isso, todo mundo sabe. E quanto a alguns juízes -- com a devida vênia Excelênica -- é até um prazer mórbido estar perto -- mas tem.
Essa é a história do Restaurante Fratelli."

     NOTA - Estou transcrevendo este depoimento na esperança de que algum conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, que me aposentou pelo na verdade não fiz, leia o que deveria ter lido na época do meu julgamento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário