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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"TODA UNANIMIDADE É BURRA"

                   "Costumo dizer aos meus alunos, na Faculdade Nacional de Direito, que “quando o juiz quer, quer; e quando não quer, não quer”, pouco importando que a parte tenha direito ou que esse seu direito esteja amparado pela lei ou pela Constituição.
Foi por não rezar nesta cartilha que acabei no olho do furacão, porque para mim o Direito socorre ao virtuoso ou ao bandido conforme ele tenha ou não tenha direito, e nunca deixei de reconhecer o direito a alguém por conta dos seus antecedentes pessoais. Mesmo na esfera criminal, contribuí muito para que fosse feita justiça ao réu, tendo certa feita votado pela anulação de uma condenação de um que tinha sido condenado por ter sido reconhecido por fotografia como sendo o chefe da quadrilha, no que fui acompanhado pelos demais membros da turma; e mais tarde foi constatado que realmente ele nada tinha a ver com aquela quadrilha, na qual fora jogado por algum desafeto seu.
Não querendo o Conselho se antecipar ao Supremo Tribunal Federal no exame dos fatos alegados contra mim, na denúncia, para não fazer um pré-julgamento daquilo que ainda vai ser julgado por aquela Corte perante a qual fui denunciado, o relator do processo disciplinar ministro Gilson Dipp se apegou ao que achou que tinha fundamento para me punir disciplinarmente, convencendo todos os demais conselheiros a acompanhar o seu voto, porque o Conselho tem uma enorme preocupação em que as suas decisões, principalmente em casos emblemáticos como este, sejam unânimes, mas esquecido da advertência do grande Nelson Rodrigues, de que “toda unanimidade é burra”.
(Trecho do livro "Operação Hurricane: Um juiz no olho do furacão" (Geração Editorial), encontrável em www.bondfaro.com.br).

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