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quinta-feira, 21 de julho de 2011

DESEMBARGADOR VENCIDO PELO CANSAÇO

"Com fome e sede, mas vencido pelo cansaço, encostei uma cadeira na parede do corredor, perto da porta da sala onde estava, reclinei a cabeça e cochilei, creio que por aproximadamente uma hora. 
O sono era muito, mas a sala onde eu estava dava para outra sala onde havia uma máquina de contar dinheiro, e os policiais estavam contando os milhões apreendidos pela Polícia Federal, na casa de um dos envolvidos na operação Hurricane, o que fez a festa da própria polícia federal e da mídia, com as imagens dos policiais quebrando parede para apreender o dinheiro.
O barulho das máquinas de contar dinheiro era tanto que dificilmente alguém conseguiria dormir ali; podendo, estando com eu estava, muito cansado, no máximo cochilar.
Ao achar o dinheiro escondido na parede daquela casa, a parte jovem da Polícia Federal, que se aglomerava num corredor comprido que se seguia àquele onde eu estava, fez uma algazarra só, parecendo jogo de final de copa do mundo. 
Não me esqueço da frase dita por um deles, em alta voz, assim que a televisão divulgou o achado:
 “Caramba, meu! Achamos milhões de reais! Já pensaram se tivéssemos achado uma merreca? Como a gente iria explicar o que fizemos à opinião pública?
A jovem guarda da Polícia Federal sabia o que era “opinião pública”, e que a aprovação das megaoperações policiais dependia do que pensava a seu respeito essa opinião pública.
Essa gritaria me convenceu, também, do quanto a Polícia Federal precisa amadurecer seus jovens policiais, que não revelam a maturidade suficiente para o cumprimento da sua missão constitucional.
Constatei então que a imaturidade não era um problema apenas da jovem justiça brasileira, mas, igualmente, da jovem polícia judiciária federal, que padecia do mesmo mal, que somente se adquire pela vivência."
(Trecho do livro OPERAÇÃO HURRICANE: Um juiz no olho do furacão)

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