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terça-feira, 21 de junho de 2011

MATÉRIA PUBLICADA PELA FOLHA DE SÃO PAULO


FOLHA DE SÃO PAULO | PODER (A11)
CNJ | CEZAR PELUSO

Magistrado processado dá sua versão dos fatos em livro
CRÍTICA FREDERICO VASCONCELOS

DE SÃO PAULO


"Isso é operacional, Excelência; e não tem nada a ver com as prerrogativas de Vossa Excelência." A frase foi usada por um agente da Polícia Federal ao prender o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, em abril de 2007, durante a Operação Hurricane, no Rio de Janeiro.
A expressão foi repetida quando o juiz foi revistado e algemado, e nas duas vezes em que, constrangido, teve que se despir. É relembrada no livro "Operação Hurricane - Um juiz no olho do furacão" (Geração Editorial), em que dá a sua versão dos fatos.
Autor de várias obras jurídicas, então vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Alvim foi preso com o genro, dois magistrados, um procurador da República, um delegado da PF e empresários de bingo. É suspeito de proferir decisões para favorecer grupo ligado à exploração de jogos ilegais.
Diz que foi vítima de um esquema armado para evitar que chegasse à presidência do TRF-2. Sustenta que só deu liminares para liberar máquinas caça-níqueis apreendidas e que nunca deu decisões para o funcionamento de bingos.
"Fui preso "desnecessariamente" e submetido a um escárnio igualmente "desnecessário" da mídia, que me julgou e condenou por antecipação", afirma, criticando principalmente a TV Globo.
Ele alega que "a parte malsã" da PF gravou telefonema em que tratava da compra de passagens para um congresso jurídico e montou a frase que o incriminaria: "Minha parte em dinheiro, tá?"
Para sustentar que a PF poderia ter forjado o diálogo, o livro traz laudo do perito Ricardo Molina, de fevereiro de 2008. A peça não impediu que o STF recebesse por unanimidade a denúncia contra Alvim, acusado de formação de quadrilha e corrupção passiva, e que o CNJ o aposentasse por unanimidade.
Alvim sugere que o então procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, os ministros Cezar Peluso, Ellen Gracie e Gilson Dipp, então corregedor do CNJ, não examinaram as provas. STF e CNJ, diz, preferiram "acreditar na versão absurda criada pelo Ministério Público" para tirá-lo do TRF.
Enquanto o STF não julga a ação penal, Alvim se antecipa e submete seu relato ao "julgamento dos leitores".

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